Eu nasci no futuro
"É o ano 2650, ou, como se diz por ora, é o ano +650...; eu quero vos contar uma história...".
Eu até tentei escrever sério, mas os temas que havia para serem escritos e superutilizados já foram. O próprio nome é “Eu nasci no futuro” para não dizer “eu vim do futuro” ou ainda "De volta para o futuro". Perdão ao leitor, eu me sacaneio mesmo. Acho inclusive que inconscientemente brincar com o texto é uma forma que encontrei de não me decepcionar com a maneira que escrevo: eu gosto de escrever criativamente, não só contar estórias. A criatividade precisa ser o que se escreve e como se escreve, assim na música o que se diz e como se diz é exatamente o que traz personalidade e estilo e, quem sabe, beleza.
Um conselho, se não quiser uma sacanagem literária, autodepreciativa por vezes, por vezes simplesmente “demais”… muito criativa, muito formal ou muito bonita… pule as primeiras secções como “Do autor” e “Pré-difícil” (olha o nome!); porque nelas há muito que dizer, mas não espero do leitor paciência para saber ciência demais ou entender ciência inventada com a linguagem de um gênio inventado — fingir ser um gênio é muito difícil, às vezes requer ser genial. Porém, assim que os capítulos começam, acho que vale a pena pelo menos insistir um pouco para saber se de verdade existe um universo que criei com meus dedos e se esse universo é belo.
A linguagem é cheia de autocrítica, mas tem metacrítica linguística no geral — a própria confecção de um linguajar usado por pessoas no futuro faz o papel de demonstrar como vícios linguísticos se tronam a língua como é. Perdão pelo português inventado ou os erros que cometi quando sendo dialógico ou por simples ignorância, pois a normas ainda me encontram aqui e ali desavisado e, para além disso, escrevi este livro ainda incipientemente, sendo eu, ainda, o editor (e nem escrever sei…). Além do que, eu não sou nenhum Burgess, com seu Nadsat, mas sei que a linguagem quando não é criativa, é enfadonha e, se conheço bem os do “Sci-fi da vida”, sei que preferem criatividade demasiada ao enfado do “mais do mesmo”.
O mercado literário é o que é e tentar mudá-lo é apenas nadar contra a corrente.... então, sendo breve, simplista e até insosso: o livro é uma história de humor, amor e ciência num futuro pós-apocalíptico que envolve viagem no tempo (É como se um clichê tivesse casado com um Déjà-vu e nascesse um esteriótipo… ). Não existe muito que possa ser dito de qualquer arte em antemão que não a deixe a mercê de ser descoberta temporã (spoiler, dirão) por quem quer que queira explorá-la. Eu não mudarei o que escrevi quando muito mais jovem, não porque não ache que seja demais (rebuscado, palavra que ouvi muito), mas porque a arte não é para ser perfeita ou sequer apreciada, talvez nem sequer entendida por todos... ela é um imprint, uma manifestação de quem somos — ou nesse caso, fomos — naquele momento ou tempo particular (por mais vergonhoso que seja… e a vergonha que tenho, talvez sejao que a faça mais genuína e pura).
| Número de páginas | 174 |
| Edición | 1 (2018) |
| Formato | A4 (210x297) |
| Acabado | Folleto |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Portugués |
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