Há uma pergunta que raramente fazemos a nós mesmos, porque ela dói antes mesmo de ser formulada: em que momento eu deixei de ser inteiro?
Não estou falando de um trauma único, de um evento catastrófico que se possa apontar no calendário da vida. Estou falando de algo mais silencioso e, por isso mesmo, mais difícil de nomear: a sensação, difusa mas persistente, de que em algum lugar do caminho perdemos contato com uma parte de nós que um dia foi espontânea, curiosa, inteira.
Este livro parte de uma tese que atravessa mais de um século de pensamento psicanalítico e que a neurociência afetiva contemporânea tem, a seu modo, confirmado: ninguém nasce fragmentado.
Tornamo-nos fragmentados para sobreviver.
A criança que somos ao nascer não escolhe esconder partes de si por acaso ou por defeito de caráter. Ela o faz porque, em algum momento, aprendeu que certas partes de sua experiência recebiam amor e outras recebiam silêncio, distância ou punição. E uma criança, sempre, escolherá preservar o vínculo com quem cuida dela a preservar a integridade de si mesma. É uma escolha que nem chega a ser consciente; é puramente adaptativa, biológica, um mecanismo de sobrevivência tão antigo quanto o apego.
| Número de páginas | 156 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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