Este livro não nasceu apenas de uma pesquisa. Nasceu de uma travessia.
A pergunta central surgiu no contato direto com a tentativa de transformar consciência negra em organização, organização em instituição, instituição em poder e poder em direção histórica. Ela amadureceu durante minha experiência de idealização e fundação do Partido da Causa Negra e ganhou ainda mais força na tentativa de articular a união dos partidos negros em formação no Brasil.
Foi nesse processo que uma contradição se tornou impossível de ignorar: a população negra construiu o Brasil, sustentou sua economia, marcou sua cultura, formou seus territórios, criou linguagens, espiritualidades, saberes, resistências e horizontes de vida. No entanto, essa imensa participação histórica não se converteu, na mesma proporção, em poder coletivo, soberania interna e capacidade real de dirigir os rumos da sociedade.
A questão deixou de ser apenas política. Tornou-se teórica, histórica e existencial.
Por que um povo pode construir tanto e dirigir tão pouco? Por que a força que ergue uma sociedade nem sempre se transforma em capacidade de decisão? Por que a presença histórica de uma coletividade pode ser absorvida, celebrada ou explorada, mas não convertida em poder próprio?
A teoria da Capacidade Histórica Coletiva nasceu dessa inquietação. Ela procura compreender como a história produz capacidades, como essas capacidades podem ser bloqueadas, apropriadas ou dispersas, e como podem ser
| Número de páginas | 287 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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