Stein não era um técnico comum, daqueles que se limitavam a pranchetas e discursos motivacionais baratos. Ele era um visionário, um estrategista obcecado pela perfeição física e, acima de tudo, um comandante que entendia a alma do Celtic como ninguém. Com sua chegada, a poeira que cobria as taças foi varrida para longe. Ele transformou o complexo de vira-lata daquele elenco em uma fome insaciável de bola. Stein olhou para aquele bando de jogadores desacreditados e viu neles o material perfeito para construir uma máquina de jogar futebol.
O que torna essa história um verdadeiro conto de fadas dos gramados — uma ode legítima ao futebol romântico que hoje quase não existe mais — é a simplicidade da sua matéria-prima. Aquele Celtic não foi montado com cheques milionários, contratações bombásticas de craques estrangeiros ou estrelas consagradas do mercado internacional. Não. A maior potência que a Europa estava prestes a conhecer foi forjada no quintal de casa. Cada um daqueles rapazes nasceu, cresceu e aprendeu a chutar uma bola num raio de meros 50 quilômetros ao redor do estádio de Celtic Park. Eram operários, filhos da classe trabalhadora de Glasgow e vilarejos vizinhos, jogando pelo time que seus pais e avós torciam nas arquibancadas.
| Número de páginas | 72 |
| Edición | 1 (2026) |
| Idioma | Portugués |
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