Isto não é um romance histórico. É uma máquina do tempo. Jorge Guedes não escreveu apenas um livro: ergueu uma masseira na areia e convidou o leitor a entrar. Sentimos o cheiro do sargaço, o peso do gigo na cabeça e o frio da água nos pulsos. É uma obra que se lê com o corpo.
Aqui não há heróis perfeitos nem finais felizes. Há fome, denúncia, traição e luta pela sobrevivência. Guedes não romantiza a pobreza: mostra-a na sua crueza, mas também na sua dignidade feroz. Manuel, Custódia, Custódio, o Arrais e Joaquim parecem pessoas de carne e osso. E a relação entre Manuel e o pai, feita de silêncios e olhares, é de uma profundidade comovente.
Enquanto Lisboa muda de dono, em Apúlia luta-se pela batata. O livro liga magistralmente a História à vida de todos os dias, mostrando como a queda de um rei pode significar, para quem nada tem, o aumento do preço do pão e a fome dos filhos.
A prosa de Guedes é telúrica, salgada e cortante, sem floreados. Ficam imagens inesquecíveis, como a do pai e do filho na duna, diante do cometa, recusando esconder-se.
Este é um livro sobre os esquecidos, sobre mulheres que carregavam o mundo à cabeça e homens que morriam no mar para alimentar a terra. Um tributo necessário à gente do vento.
Leia-o. O vento não espera.
| Número de páginas | 251 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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