Este ensaio analisa a emergência contemporânea da extrema-direita mundial a partir das categorias gramscianas de bloco histórico, hegemonia e correlação de forças, articuladas à noção de revolução passiva/revolução-restauração. Sustenta-se a hipótese de que a ascensão da extrema-direita não constitui fenômeno exterior ao capitalismo, mas expressão de uma fissura no bloco histórico capitalista, na qual diferentes forças disputam a configuração política e cultural da ordem. Nesse processo, a extrema-direita pode ser compreendida como força de recomposição hegemônica, combinando, de modo aparentemente paradoxal, desregulamentação econômica, fortalecimento seletivo do Estado, autoritarismo político, nacionalismo e restauração cultural. O caso brasileiro, particularmente a experiência do bolsonarismo entre 2018 e 2022 e sua permanência política posterior, é mobilizado como experiência histórica concreta dessa dinâmica. O ensaio argumenta que a crise não possui direção predeterminada: sua resolução depende da correlação de forças e da capacidade dos diferentes sujeitos de convertê-la em projeto político. Nesse sentido, a fissura aberta no bloco histórico capitalista também constitui oportunidade para partidos, movimentos e organizações subalternas disputarem a hegemonia e construírem uma nova articulação histórica fundada na democratização do poder, na liberdade social e na ampliação da participação política.
| Número de páginas | 181 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabado | Tapa blanda (sin solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Portugués |
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