Todo mundo no Brasil conhece a frase: «de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra… o homem chega a ter vergonha de ser honesto». Quase ninguém leu a frase que vem antes dela, no mesmo discurso de Rui Barbosa, em 1914 — e é a que explica tudo: a injustiça «semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão».
O estrago maior da corrupção não está no cofre. Está dentro de quem assiste.
Este livro faz duas perguntas ao mesmo tempo. A primeira é clínica: o que acontece dentro de uma pessoa quando ela se corrompe — por que ninguém acorda corrupto, que paixões movem o processo, e por que quem já cruzou a linha quase sempre se sente inocente. A segunda é política: o que acontece com um país quando isso deixa de ser individual e vira arranjo, regra não escrita, estrutura.
No meio das duas está a parte mais incômoda. Para fazer o que faz, o corrupto precisa desumanizar a vítima — transformá-la em número, em «população atendida», em massa sem rosto. E nós, para suportar o que vemos, desumanizamos o corrupto. As duas operações são a mesma, e é por isso que a indignação brasileira, tão sincera e tão barulhenta, quase nunca muda alguma coisa.
São trinta capítulos, dos monges do deserto egípcio do século IV ao Índice de Percepção da Corrupção de 2025, em que o Brasil marcou 35 pontos de 100 e ficou em 107.º lugar entre 182 países. Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Evágrio Pôntico, Platão, Aristóteles, Montesquieu, La Boétie, João Paulo II, Albert Bandura, Joaquim Nabuco, Manoel Bomfim e Rui Barbosa.
Não há aqui nome de político vivo, nem partido, nem eleição. É decisão de método: escândalo tem data de validade curta, e o mecanismo não tem.
| Número de páginas | 180 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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