Estava a arrumar a desarrumação da casa. Encontrei uma caixa que não via há anos. Transparecia nela os sinais do tempo. Perdera o brilho. Abri a tampa. Quiquilharia. Esgravatei sem pressentir que iria encontrar algo de interesse. Enganei-me. Tinha uma pulseira com um nome quase desaparecido. Mais uns cartões de multibanco já fora de prazo, datados do século passado. Outro cartão, este do tempo em que a Internet se pagava nas máquinas inovadoras da Nova Rede. No fundo, depois de retirar chaves, moedas e uns bonecos em miniatura toquei num tufo de pêlo. Castanho. A minha memória retrocedeu uns bons anos. Senti-me a reviver um passado que me marcou para sempre. Examinei outra vez a pulseira. A angústia invadia-me. Limpei o mais que podia e lia-se com dificuldade um nome: Bolacha. Era a coleira de um gato inesquecível que formou uma família com a Nika e que me acompanhou durante mais de 30 anos.
O Bolacha era vaidoso. Quando lhe tirava a coleira em ouro indiano ele não se mexia à espera de senti-la de novo no pescoço. O tufo de pêlo foi cortado no seu último dia de vida. Nesse momento, uma daquelas sensações que não se explicam levou-me a decidir escrever a história daquela minha saudosa família de gatos. O Bolacha, a Nika, o Tomassas, a Flufa, o Jack Patolas the Ripper, a Xuxa, a Dolfa e o General. Eu limito-me a transcrever o que eles viveram e como viveram, falaram, amaram, lutaram, arranharam, lamberam, nasceram, cresceram e desapareceram. A história não é minha, é deles.
| ISBN | 978-65-266-8876-2 |
| Número de páginas | 100 |
| Edición | 1 (2026) |
| Idioma | Portugués |
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