Cada canção de Leci Brandão carrega algo que ultrapassa o limite da música.
O samba, em sua obra, não se limita à estética do ritmo ou à beleza da
melodia. Ele se apresenta como narrativa social, como gesto político e como
arquivo sensível da memória coletiva. A palavra cantada torna-se espaço de
elaboração. Aquilo que a história frequentemente tentou silenciar reaparece em
forma de verso, ritmo e voz.
Uma escuta mais cuidadosa revela que essas canções não são apenas registros
artísticos de um tempo. Elas funcionam como territórios simbólicos.
Personagens como o de Zé do Caroço, as evocações da vida comunitária, a
denúncia das injustiças sociais e a celebração da dignidade negra formam um
tecido narrativo que fala diretamente da experiência de um povo que aprendeu
a transformar dor em criação.
O conceito de Axé, dentro da tradição afro-brasileira, oferece uma chave
potente para compreender esse fenômeno. Axé não se reduz a uma ideia
abstrata de energia espiritual. Ele opera como princípio vital, como força que sustenta a continuidade da vida, das relações e da memória. No interior da cultura negra brasileira, o Axé também organiza modos de existência, práticas
comunitárias e formas de elaboração simbólica.
Ao aproximar a Psicanálise desse universo cultural, torna-se possível perceber como o canto pode funcionar como linguagem de elaboração psíquica. A música, nesse sentido, não apenas representa emoções.
| ISBN | 9786501943664 |
| Número de páginas | 226 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Portugués |
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