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Escrevo porque viver, às vezes, não basta.
Algumas experiências atravessam fundo demais para ficarem só na memória. Elas pedem palavra, forma, respiração. Pedem escrita.
Sou alguém que sente muito, observa demais e pensa o tempo inteiro. Convivo com conflitos internos, excessos de emoção, silêncios longos e uma necessidade quase urgente de entender o que me acontece e o que acontece nas relações humanas. A escrita surgiu como um lugar de organização, mas também de confronto. Nem sempre para curar, às vezes apenas para suportar.
0 Metros de Distância nasceu de uma vivência real, intensa e confusa. Não como denúncia, vitimização ou acerto de contas, mas como tentativa honesta de compreender afetos, limites, escolhas e desencontros. Escrever este livro foi olhar para o amor sem romantização excessiva, entendendo que nem todo sentimento sabe ficar, mesmo quando é verdadeiro.
Mas este livro não me define por completo.
Quero escrever sobre relações, sim, mas também sobre solidão, saúde mental, identidade, desejo, pertencimento, trabalho, cansaço, fé, vícios, crescimento e tudo aquilo que atravessa quem vive em intensidade no mundo atual. Quero escrever sobre vivências. Sobre o que não aparece nas fotos. Sobre o que não cabe em frases prontas ou finais felizes.
Acredito que a escrita não precisa oferecer respostas. Às vezes, ela existe apenas para nomear perguntas. Para lembrar que sentir profundamente não é fraqueza e que atravessar dores também é uma forma de sobrevivência.
Este é meu primeiro livro, mas não é um ponto final.
É o começo de um caminho onde a palavra é abrigo, exposição e continuidade.
Ainda há muito a ser vivido.
E muito a ser escrito.