Jonas Batista dos Santos

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Sobre el autor

Sou, por definição própria e alheia, um escravo inútil de Maria Santíssima. Nas horas vagas, quando não estou a serviço d'Aquela que é a Rosa mística, ensino português, mas a verdade é que nunca consigo separar completamente o professor do devoto, o filólogo do apologista, o escritor do crente, pois São José Maria Escrivá bem orientou para que levássemos Cristo conosco ao ambiente de trabalho, não como quem prega, como alguém que é honesto, verdadeiro, benevolente e heróico.

Disse Olavo de Carvalho que "enquanto não for restaurada a majestade da verdade, não haverá reinado de honestidade, moralidade e santidade. E ainda completa com o questionamento irônico: "Onde estão os seus heróis, santos e gênios?"

Minha obra é, antes de tudo, um ato de amor à linguagem e à verdade, mas não a qualquer linguagem. Escrevo movido pela convicção, herdada dos antigos, de que a palavra bem ordenada não apenas comunica ideias: ela forma o próprio pensamento. Por isso, dediquei-me a estudar o Trivium (gramática, lógica e retórica) com o rigor de quem busca na tradição clássica o remédio para a confusão verbal e moral do nosso tempo.

Meus livros podem ser divididos em duas grandes famílias, que às vezes se misturam:

De um lado, os ensaios e tratados: em Adequação Retórica, investigo a linguagem como vínculo sagrado com a realidade, percorrendo Aristóteles, Platão e a história da língua portuguesa para defender uma comunicação ética e virtuosa. Em O Recurso Retórico Ironia, mergulho no diálogo platônico e em Voltaire para compreender como a ironia pode servir à verdade ou desviar-se dela. E em Verus Deus, assumo, sem disfarces, minha perspectiva católica tradicionalista para oferecer uma introdução ao cristianismo que não tem medo de chamar as coisas pelos nomes, ainda que isso incomode.

De outro lado, os romances e diálogos: porque a verdade também pode ser contada, e talvez com mais beleza. Em A Rosa, um cavalheiro contemporâneo vive as dores e glórias do amor cortês numa narrativa que mistura confissão medieval, alegoria e poesia. Em Clínias, transporto o leitor à Atenas do século V a.C. para um diálogo sobre virtude, deuses e destino. Em A Vila, exploro o horror pós-apocalíptico como pano de fundo para questões filosóficas sobre a alma, o mal e a amizade. Em Maximo, o meu grande amigo Sanoi, o filósofo católico que enfrenta o mundo com humor ácido e martelo. Em A Liga Comunista, rio, e rio com gosto, das ideologias que assombram a educação brasileira. E em Monstrum, mergulho na mente de um homem que tenta compreender a si mesmo depois de tudo.

Escrevo cum rigore et amore, com rigor e amor. Minha prosa é deliberada, rítmica, por vezes densa. Não escrevo para entreter passageiramente, mas para deixar marcas. Sei que meus livros não são para todos: exigem paciência, exigem referências, exigem um leitor disposto a aceitar as regras de um jogo literário que flerta com o arcaico, com o filosófico, com o litúrgico.

Também não escondo minhas posições. Escrevo a partir de uma perspectiva católica tradicional e isso significa que minha visão de mundo está impressa em cada página, nos ensaios, abertamente; nos romances, nas entrelinhas ou nas próprias tramas. Não peço desculpas por isso. A neutralidade, creio, é uma falta de virilidade moderna; mais honesto é declarar de onde se fala.

Escrevo por contemplação das belezas expostas — e por indignação com as feiuras que as escondem. Escrevo porque acredito que a literatura e a filosofia ainda podem formar almas, e não apenas entreter cérebros. Escrevo, em última análise, porque fui chamado a isso: sou um escravo inútil, mas um escravo que escreve.

E se minhas palavras, mesmo imperfeitas, puderem ajudar alguém a ver com mais clareza, a amar com mais nobreza, a pensar com mais verdade, então já cumpri minha tarefa.
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