Um faxineiro limpa uma mancha do lado errado do vidro no último dia de trabalho. Uma mãe reza porque não há para quem ligar. Um estagiário sai para o banco todo dia depois do almoço e nunca chega a banco nenhum. Uma cidade de sete milhões de pessoas fica vinte horas sem energia, e nem os geradores pegam.
Os catorze contos de A Rotina do Absurdo se passam no Rio de Janeiro e começam sempre no lugar mais comum que existe: a hora de sempre, o trajeto de sempre, o café passado no coador de pano de sempre. Então alguma coisa entra. E a rotina não para para olhar.
Não há explicação no fim. Não há moral, não há resgate, não há mundo mágico onde tudo se acerta. As pessoas continuam batendo o ponto, comprando pão, atravessando a rua. O absurdo não interrompe a vida: ele senta, ocupa uma cadeira e fica.
A geografia é a de quem trabalha na cidade, não a de quem a visita: a Tijuca em março, o Complexo em dezembro, a Cruzada São Sebastião, o Horto que o mato vai engolindo, o Bairro Peixoto. Os protagonistas são um faxineiro, um porteiro, um vigia de parque, um entregador de aplicativo, uma mãe de dois filhos numa comunidade. Gente que costuma aparecer no fundo do plano e que aqui ocupa o centro.
Edmir Saint-Clair escreve com a câmera do lado de fora: o que os personagens sentem, o leitor deduz do que eles fazem. São histórias de uma cidade que não dá explicações para quem vem de fora. Nem para quem nasceu nela.
| ISBN | 9786502301395 |
| Número de páginas | 144 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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