O concreto não esquece. E o povo guarda lembranças.
Duas formas redondas ergueu-se no coração de Goiânia, como se fossem olhos abertos para o céu. Elas nasceram para guardar a água do Areião, mas o rio seguiu seu caminho — e deixou-as vazias. Vazias, mas não silenciosas. Por quase vinte anos, o lugar ficou à margem dos olhares oficiais. Um buraco no meio da cidade, onde o tempo parecia ter parado.
Mas o tempo não para. Ele se infiltra. No concreto. Nas raízes das árvores que cresceram entre as paredes. Na memória dos que passavam ali e sentiam que algo estava errado. Algo que não era só o vazio. Algo que era… antigo. Pesado.
Este livro não é sobre o que foi dito. É sobre o que foi sussurrado.
São as histórias que os velhos contavam com a voz baixa, olhando para trás. As lendas que as crianças ouviam no escuro e não contavam a ninguém. Os relatos que morrem com quem os sabe, mas que sempre voltam. Como um eco. Como um aviso.
Quando as paredes foram pintadas e o lugar ganhou um novo nome — Centro Cultural Martim Cererê — muitos pensaram que o passado havia sido apagado. Mas o concreto não esquece. Ele guarda o silêncio das décadas. Os segredos que o povo levou para o túmulo. A verdade que ninguém tem coragem de dizer alto.
Esta é a história de um lugar que não foi rejeitado. Foi esquecido. Porque lembrar dói.
| Número de páginas | 80 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Portugués |
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