Durante décadas, o estudo dos sonhos permaneceu aprisionado dentro de estruturas intelectuais que privilegiaram experiências europeias como se fossem universais. A história da psicanálise consolidou importantes caminhos para
a compreensão do inconsciente humano, sobretudo a partir das formulações de Sigmund Freud, mas também ergueu silenciosamente uma fronteira: o sonho passou a ser lido, em muitos contextos, apenas como produto do desejo
individual, do recalque privado e da intimidade psíquica isolada.
As experiências negras da diáspora jamais couberam inteiramente nessa arquitetura. Em comunidades afro-brasileiras, o sonho frequentemente ultrapassa a esfera individual. Sonha-se com os mortos, com ancestrais
desconhecidos, com estradas que ainda não foram percorridas, com águas profundas, com vozes antigas, com entidades que anunciam cuidado, perigo ou transformação. Em inúmeros terreiros espalhados pelo Brasil, sonhos orientam decisões, reorganizam afetos, anunciam curas e interrompem ciclos de sofrimento emocional que a
linguagem clínica tradicional nem sempre conseguiu alcançar.
| ISBN | 9788581660875 |
| Número de páginas | 304 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Portugués |
¿Tienes alguna queja sobre ese libro? Envía un correo electrónico a [email protected]
Haz el inicio de sesión deja tu comentario sobre el libro.