Os símbolos não são o dado primeiro da experiência interior, mas a sua precipitação tardia, o contorno que o afeto encontra para se depositar e se fazer reconhecível. Antes de qualquer imagem consolidada, há uma comoção que ainda não tem nome, uma intensidade que percorre o corpo e a consciência sem se fixar em figura alguma. Essa comoção, ao buscar expressão, condensa-se em símbolo; o símbolo é, portanto, a cristalização de um afeto que o antecede e o engendra, a forma que a corrente afetiva adota para não se perder no informe. Entretanto, nenhum símbolo é perene. As formas simbólicas se desgastam, entram em colapso sob o peso das transformações históricas, coletivas ou íntimas, e aquilo que antes acolhia o afeto se desfaz em fragmentos opacos. É nesse instante de ruína que se revela a precedência do afeto, pois o afeto que deu origem ao símbolo não desmorona com ele. Ele permanece como uma potência insiste e sem moldura, uma energia que sobrevive ao invólucro que a continha e que, desalojada, procura novas superfícies onde se depositar. Este livro se dedica a uma filosofia dos afetos, tomando como centro a investigação do modo pelo qual essas intensidades se inserem no tempo e na matéria das relações. Não se trata de descrever os afetos como estados interiores isolados, mas de compreender como eles se alojam nos interstícios de cada encontro, como se infiltram nas dobras do instante e se tramam com a presença do outro, do mundo e da memória. Sobretudo, importa aqui compreen
| Número de páginas | 152 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A4 (210x297) |
| Acabado | Tapa blanda (sin solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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