Li O Bom-Crioulo pela primeira vez na década de 1990, ainda jovem, em um momento da vida em que determinadas leituras não passam simplesmente pelos olhos: elas encontram alguma coisa dentro de nós e permanecem, mesmo quando ainda não sabemos exatamente por quê. O romance de Adolfo Caminha me impactou profundamente. Amaro, Aleixo, a relação entre os dois, o desejo, a violência e a atmosfera de transgressão daquela narrativa permaneceram na memória como permanecem algumas experiências que a juventude não consegue explicar, mas que o tempo não consegue apagar. Naquele período, eu ainda não possuía as ferramentas teóricas, a experiência de vida ou o olhar que hoje me permitem retornar à obra por outros caminhos. Havia o leitor diante do livro, havia o impacto da narrativa e havia uma inquietação que, muitos anos depois, eu descobriria que ainda não havia terminado.
Décadas se passaram até que eu voltasse às páginas de O Bom-Crioulo. O reencontro produziu uma sensação curiosa: o romance continuava sendo o mesmo, mas eu já não era aquele leitor. Entre a primeira leitura e esta releitura havia uma trajetória que modificara profundamente minha maneira de compreender o sujeito, o desejo, a cultura, as relações humanas e, sobretudo, os saberes produzidos a partir das tradições de matriz africana. A psicanálise passou a fazer parte dessa trajetória, assim como a sociologia, a literatura, a pesquisa sobre as religiões afro-brasileiras e a experiência de vida.
| ISBN | 9786556020884 |
| Número de páginas | 452 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Tipo de papel | Offset 80g |
| Idioma | Portugués |
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