No último dia do século XIX, a ex-escravizada Leopoldina senta-se junto à janela de sua casa em Desterro — hoje Florianópolis — e toma uma decisão que ecoará por gerações: pega caderno, caneta e tinteiro e começa a registrar a história de sua família. É como lançar uma garrafa ao mar, com a esperança de que alguém, no futuro, a encontre e não deixe aquelas vidas serem engolidas pelo esquecimento.
Mais de cem anos depois, suas bisnetas Denise e Ana — gêmeas bivitelinas tão diferentes quanto complementares — resgatam esses manuscritos amarelados, salvos por acaso da enchente devastadora que assolou Florianópolis na véspera do Natal de 1995. O que encontram é um tesouro: registros de nascimentos, batismos, mortes e histórias que remontam à escravidão, revelando uma linhagem de mulheres negras que resistiram com bravura ao racismo, à pobreza e ao apagamento histórico.
No centro dessa saga está Maria Clara, bisavó de Denise e Ana, uma mulher negra que, no início do século XX, numa cidade marcada pelo preconceito, estudou e se tornou professora normalista — conquista extraordinária para sua época. Sua trajetória de dignidade e inteligência inspira as gerações seguintes a não abandonarem a memória ancestral.
Com uma narrativa que entrelaça diferentes épocas e vozes, Sai da frente, estafermo! é um romance sobre identidade, resistência e o poder da memória como ato político. Uma obra essencial da literatura catarinense contemporânea.
| Número de páginas | 0 |
| Edición | 1 (2023) |
| Idioma | Portugués |
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