A Justiça costuma ser representada com os olhos vendados, segurando uma balança e uma espada. Trata-se de uma alegoria harmoniosa, desenhada para transmitir a ilusão de imparcialidade e rigor absoluto.
No entanto, quem já caminhou pelos corredores acarpetados dos tribunais ou desceu aos porões abafados onde se acumulam os processos esquecidos sabe que a blindagem das instituições raramente é feita de pedra ou mármore. Ela é feita de silêncio.
O silêncio, no meio jurídico, não é a mera ausência de som. Ele é uma linguagem complexa, uma moeda de troca de altíssimo valor e, acima de tudo, um pacto de sobrevivência.
É o silêncio das gavetas que engavetam denúncias incômodas; o silêncio dos corredores onde sentenças são negociadas em sussurros; o silêncio respeitoso dos ritos que mascaram o cinismo daqueles que vestem a toga não para servir à lei, mas para se servirem dela.
Em Sob o Mármore do Tribunal, somos convidados a entreolhar as frestas dessa estrutura secular pelos olhos do juiz Álvaro Brant. Álvaro encarna o idealismo quase ingênuo do jurista que entra para a magistratura acreditando que a Constituição é um escudo inviolável e que a lógica processual basta para corrigir as injustiças do mundo.
| Número de páginas | 70 |
| Edición | 1 (2026) |
| Idioma | Portugués |
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