Longe do destino imposto pelas correntes e pelo exílio, ele reinava sobre as margens do Lualaba, onde o prestígio nascia do domínio da fibra e do tear. Para o povo Kajama, a riqueza era uma arte espiritual: o talento sagrado de transformar o algodão simples na mais pura expressão de nobreza e identidade.
Arrancado de seu trono e lançado no ventre podre de um navio negreiro, o príncipe Zwanga aporta no Recife de 1829. Sob o sol impiedoso de Pernambuco e o olhar gélido do Barão Gaspar de Albuquerque, ele é reduzido a uma "peça". Contudo, a nobreza de seu espírito é inquebrável. Entre agulhas e retalhos de seda, Zwanga não apenas veste a aristocracia branca; ele costura, em silêncio, os mapas de sua própria liberdade.
É nesse cenário de opressão que floresce um desejo proibido e perigoso. Ricardo, herdeiro do Barão, vê em Zwanga mais do que um escravo: encontra uma alma espelhada pela sensibilidade artística. O que começa como admiração mútua pela estética e pelo intelecto transforma-se em uma conexão que desafia as leis e a moral da Casa-Grande, provando que nem mesmo o sistema mais cruel consegue ditar os rumos do afeto.
Uma obra poderosa em que a tensão de um amor proibido encontra a força de uma resistência inabalável. Conduzidos pela descoberta de Zola em meio a arquivos centenários entre as prateleiras esquecidas da UFPE, mergulhamos na trajetória de Zwanga — um príncipe africano reduzido a um escravo, cuja história sobreviveu ao tempo para ecoar hoje como o triunfo da mem
| Número de páginas | 281 |
| Edición | 1 (2026) |
| Idioma | Portugués |
¿Tienes alguna queja sobre ese libro? Envía un correo electrónico a [email protected]
Haz el inicio de sesión deja tu comentario sobre el libro.