Onde termina o olhar e começa a floresta? "Contemplação" é uma meditação em prosa sobre a possibilidade de dissolver as fronteiras entre o eu e o mundo, o humano e o não humano, o interior e o exterior. Um homem para numa trilha no meio da mata. Observa um pássaro imóvel na copa, um lagarto oculto na folhagem, uma formiga que contorna uma folha seca, e percebe que, para cada um deles, ele é apenas um evento na paisagem. Observar, descobre, é também ser observado.
Em seis movimentos (a trilha, a introspecção, as interioridades sem nome, a fusão, a chuva e a respiração da mata), a narrativa vai da atenção ao corpo à interioridade de cada criatura, sem antropomorfismo, até o instante em que as fronteiras se tornam porosas e a floresta inteira parece uma única substância que se reconhece. O texto dialoga em silêncio com Espinosa, Merleau-Ponty, Clarice Lispector e a tradição do nature writing.
Não ensina doutrinas: mostra uma maneira de estar. E deixa, ao final, não uma resposta, mas um campo, onde o leitor pode, se quiser, entrar.
| Número de páginas | 50 |
| Edición | 1 (2026) |
| Idioma | Portugués |
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