CASA DE FARINHA EM MACUNAÍMA

MATA, MALINEZAS, TEOGONIA E ENCANTARIA

Por Arlete De Amorim

Código del libro: 947784

Categorías

Crítica, Cosmología, Árboles y Bosques, Antropología, Ficción y Romance, Didácticos, Crítica literaria, Espiritualidad, Realismo Fantástico, Hermenéutica

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Sinopsis

O ensaio propõe uma releitura de Macunaíma, de Mário de Andrade, entendendo-o como uma composição de grande liberdade inventiva, mas sustentada por rigor estrutural. À maneira de uma peça musical, a narrativa organiza-se por recorrências, variações e diálogos temáticos que revelam um projeto estético consciente. Nesse arranjo, a mitologia amazônica e a presença dos Encantados não figuram como ornamento exótico, mas como princípios simbólicos que estruturam o imaginário e orientam o movimento do romance.

A metáfora da “casa de farinha” condensa essa leitura crítica. Tal como o espaço amazônico em que a mandioca é coletivamente transformada por processos sucessivos de trituração, peneiração e recombinação, o romance funciona como um lugar de transmutação cultural. Vozes populares, saberes tradicionais, ritmos, mitos e experiências históricas são rearticulados numa rapsódia literária em que a aparência de desordem encobre uma lógica precisa. O “caos organizado” torna-se, assim, chave interpretativa para a complexidade formal da obra.

Em última instância, o ensaio reverencia os Povos da Floresta ao reconhecer na criação literária uma forma de continuidade simbólica da ancestralidade. Ao reler o romance a partir da Amazônia, a proposta crítica ultrapassa a interpretação e se afirma como gesto de reconexão com o rito, com a memória cultural e com as forças invisíveis que ainda sustentam a imaginação coletiva brasileira.

Características

ISBN 978-65-266-6970-9
Número de páginas 100
Edición 1 (2026)
Idioma Portugués

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Arlete De Amorim

Nasci na Amazônia e aprendi cedo a escutar o que não se diz em voz alta: o sopro dos encantados, o rumor antigo das águas, o silêncio verde que antecede a palavra. Escrevo como quem atravessa uma floresta, abrindo clareiras entre mito e memória, entre literatura e ancestralidade.

Em Casa de Farinha em Macunaíma: Mata, Malinezas, Teogonia e Encantaria, debruço-me sobre Macunaíma, de Mário de Andrade, como leitora que participa de um rito e se deixa conduzir por ele. Busco o que pulsa por trás da rapsódia modernista: a tessitura invisível dos encantados amazônicos, a força ritual do muiraquitã, a presença viva da teogonia indígena que sustenta a narrativa.

Para mim, a literatura é casa de farinha: lugar de fogo e transformação, de vozes que se cruzam, de caos organizado e sagrado. Ali, a palavra é raiz que se raspa, se prensa e se transmuta até tornar-se alimento.

Escrever é o meu gesto de reverência aos povos da floresta e à sabedoria ancestral que me ensinou que tudo tem espírito, tudo tem memória, tudo canta, tudo vibra.

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