A terra sempre guardou aquilo que os homens tentaram esquecer.
Sob a superfície quente das pedras, sob as raízes antigas que se entrelaçam como veias de um corpo ferido, existe uma memória que não adormece. Ela respira no escuro, cresce no silêncio e se alimenta daquilo que foi arrancado à força. Há lugares em que a floresta não é apenas floresta, mas testemunha; não é apenas abrigo, mas vigia; não é apenas vida, mas julgamento.
Foi nesse chão que Abaré nasceu.
Filho de uma terra violada e de um tempo marcado por dores que ninguém ousava nomear, ele cresceu entre o peso do sangue e o silêncio dos mais velhos. Havia nele algo de errado aos olhos da aldeia, algo que nem os cantos antigos conseguiam apaziguar por completo. Um colar de pedra vermelha, quente como brasa e antigo como o medo, parecia chamá-lo para um destino que ele ainda não compreendia. E, à medida que o mundo ao redor se estreitava, o nome que sussurravam nas noites de febre tornava-se cada vez mais presente: Karuká.
O que começou como presságio logo se revelou como ruína.
A floresta, que por séculos guardara os segredos da aldeia, passou a devolver tudo o que lhe fora tomado: a dor, a violência, a memória e a loucura. E Abaré, lançado ao centro dessa ruptura, precisará atravessar a fronteira entre o homem que era e a força que despertou dentro dele. Porque há cicatrizes que não fecham. Há terras que não esquecem. E há histórias que, quando começam a ser contadas, já não pertencem mais aos vivos.
| Número de páginas | 105 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Estucado Mate 90g |
| Idioma | Portugués |
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