Diante dos versos de Matheus Abaré em Paragens, o leitor é diretamente convidado a ultrapassar ilusões ingênuas para compreender que a literatura é o próprio entrelugar, a interface essencial entre a linguagem, a memória e a experiência do mundo. Ao longo de todas as suas páginas, o poeta empreende uma profunda caminhada poética e peregrina, articulando o afeto, a devoção e a viva denúncia social.
Todavia, longe de se reduzir a um mero documento biográfico, a obra reafirma a lição teórica fundamental de que a literatura explora, sem um fim prático imediato, o próprio material linguístico, e de que cada leitor é, no ato da leitura, o leitor de si mesmo.
Assim, Paragens não apenas canta o amor e as paisagens da existência, mas nos desafia a reaprender o sentido da poesia. Nessa jornada textual, as palavras ganham novos contornos, transformando o cotidiano em uma expressão estética singular. O rigor das metáforas e a cadência dos versos convidam à reflexão crítica sobre a própria condição humana e a arte.
A poesia de Abaré revela-se, portanto, como um espaço de resistência e de redescoberta do poder da linguagem poética. Cada poema funciona como uma paragem necessária, um instante de pausa para contemplar o movimento do tempo e do espaço. Ao cruzar memórias pessoais e coletivas, a obra constrói uma ponte entre a subjetividade do autor e a sensibilidade do leitor.
[A. L.]
| ISBN | 9786502426890 |
| Número de páginas | 164 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Portugués |
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