Ao prefaciador de qualquer obra cumpre sempre a inglória tarefa de fazer o mapa de um território que nenhum papel acolhe ou respeita, de ser a voz reiterativa e unívoca de um coro que articula múltiplas entonações, sentidos e silêncios, de operar um texto condenado à marginalia, pois que o mínimo grafa das páginas subsequentes importa mais que as pistas que o prefácio pretenda desvelar. O trabalho tradutório do prefaciador está condenado a priori, pois raras vezes consegue surpreender o motor e a paixão que desdobram um livro em intermináveis leituras.
Prefaciar os poemas traduzidos por Eric Ponty e coligidos sob o título de Pierrot Azul & Outros Poemas implica antes de tudo reconhecer as diferenças entre dois modos de tradução. De um lado, a tradução técnica, de que o texto-prefácio é apenas um Ersatz mínimo, na medida em que tenciona assinalar as ideias principais da obra e reiterá-las de modo o mais literal possível; de outro, a tradução poética, na qual o adjetivo — derivado do grego poiesis, — prevalece sobre o substantivo para contaminá-lo com seus múltiplos sentidos: “criação, ação, fabricação, confecção, arte da poesia, faculdade poética, adoção”.
Fernando Fábio Fiorese Furtado - Doutor(UFJF) e Poeta - Aposentado
| Número de páginas | 166 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
¿Tienes alguna queja sobre ese libro? Envía un correo electrónico a [email protected]
Haz el inicio de sesión deja tu comentario sobre el libro.