Heitor e Lídia compartilham décadas de vida em comum, sustentadas por hábitos, memória e uma intimidade construída ao longo do tempo. À primeira vista, nada se rompeu. No entanto, uma transformação silenciosa começa a se instalar: a suspeita.
Sem um fato concreto que a justifique, Lídia passa a interpretar pequenas ausências como sinais de traição. O que antes era rotina torna-se indício. O que era silêncio, passa a ser ocultação. Heitor, por sua vez, tenta sustentar a racionalidade diante de acusações que não encontram prova. Mas, pouco a pouco, percebe que não está lidando com fatos — e sim com uma lógica interna que não precisa de confirmação externa.
Diante disso, ele toma uma decisão extrema: retira-se do mundo. Deixa de sair, abandona gestos cotidianos, silencia a música, interrompe aquilo que o ligava ao exterior. Seu isolamento não nasce do medo, mas da tentativa de eliminar qualquer possibilidade de interpretação. Se não há movimento, não há acusação. Mas o efeito é outro: ao esvaziar o mundo, ele revela que o conflito não depende dele.
A casa se transforma. O silêncio ganha corpo, os gestos se tornam escassos, e a convivência passa a existir sem equilíbrio. Lídia, antes movida pela certeza, começa a se confrontar com a própria dúvida. Heitor, antes firme, passa a questionar aquilo que sempre acreditou ser incontestável.
Entre os dois, instala-se algo mais profundo que o conflito: um descompasso de realidades. Nenhum rompe.
| ISBN | 9798258498885 |
| Número de páginas | 154 |
| Edición | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabado | Tapa blanda (con solapas) |
| Coloración | Blanco y negro |
| Tipo de papel | Ahuesado 80g |
| Idioma | Portugués |
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